Protocolo para a realização de avaliação acessível a surdos com baixa visão fluentes em libras
Abstract
A pesquisa intitulada “Protocolo para a realização de avaliação acessível a surdos
com baixa visão fluentes em Libras”, vinculada ao grupo de pesquisa “Educomunicação:
Cinema e outras linguagens audiovisuais na Educação”, aborda uma temática de grande
relevância no campo educacional. Focada em pessoas que enfrentam a intersecção
entre ser surdo fluente em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e ter baixa visão
(segmento específico dentro da diversidade dos sujeitos surdocegos, comumente
abordados nas pesquisas e bibliografias sob os termos surdocego ou surdocegueira), a
investigação busca atender às suas necessidades específicas em contextos avaliativos
nos níveis de Ensino Médio, Ensino Técnico, Graduação e Pós-graduação. Considera,
ainda, a aplicabilidade em exames de larga escala, como o Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem), vestibulares, concursos públicos e processos seletivos, nos quais esses
sujeitos enfrentam múltiplas barreiras, já que os formatos tradicionais de avaliação não
contemplam suas especificidades comunicacionais, visuais e sensoriais. A pesquisa
busca responder à seguinte questão: Como desenvolver e implementar avaliações
acessíveis que atendam às necessidades específicas de surdos com baixa visão fluentes
em Libras, considerando as limitações do campo visual reduzido, as adaptações
linguísticas necessárias e a integração de recursos táteis e tecnológicos, de modo a
promover assertividade, autonomia e equidade nesse processo? O objetivo geral
consistiu em desenvolver um protocolo para a realização de avaliações acessíveis para
este perfil de surdos, integrando recursos visuais adaptados ao campo visual reduzido,
táteis e tecnológicos, de maneira a torná-lo o mais assertivo possível para a promoção
da inclusão, da equidade e da valorização das potencialidades desses sujeitos. A
metodologia adotada foi uma revisão bibliográfica sistemática integrativa, fundamentada
em publicações acadêmicas entre 2019 e 2024. Foram utilizados descritores como “User
Experience (UX)”, que se refere à experiência do usuário com interfaces e produtos
digitais, e “Tecnologia Assistiva (TA)”, relacionada a recursos e serviços que ampliam a
funcionalidade e a participação deste público. Como resultado, foi elaborado um
protótipo de avaliação bilíngue acessível, com base em um recorte dentro da modalidade
avaliação, mais especificamente no instrumento prova, do tipo objetiva, combinando
impressão ampliada com partes em relevo localizadas em pontos estratégicos para o
direcionamento do olhar, QR Codes para acesso a vídeos em Libras adaptados ao
campo visual reduzido, e recursos vibrotáteis para facilitar a navegação. A pesquisa visa
não apenas ampliar o acesso, mas garantir equidade, autonomia, emancipação e
reconhecimento das potencialidades desse público, contribuindo para o avanço das
práticas avaliativas inclusivas e para o fortalecimento do direito a uma educação
verdadeiramente democrática.

